Vamos tomar um café? – Crítica – LUKE CAGE

Nesta última sexta feira (29/09/16), estreou a série LUKE CAGE, serie da MARVEL com parceria com a NETFLIX.
A 4ª série da parceria, logo depois de Demolidor, Jessica Jones e Demolidor Season 2, Luke Cage (Mike Colter) continua o universo compartilhado criado pela Parceria. Porém, não é sua estréia dentro do Universo. LUKE CAGE teve sua primeira participação em Jessica Jones (Krysten Ritter), fazendo seu par amoroso na série.
Falando em Par amoroso, O bichinho pra ter par amoroso em? Ao todo, desde sua aparição em Jéssica Jones, eu contei 5, isso fora as que não deu tempo para ele “tomar café” e os olhares com segundas intenções.

Confira o vídeo que fizemos para o nosso canal do youtube:

Todo o universo MARVEL/NETFLIX é muito ousado com seus roteiros, por causa de não depender de grandes indústrias/produtoras/estúdios de hollywood para serem aprovados e passar para o grande publico, tanto TV quanto CINEMA. Netflix tem um publico alvo mais seleto, dos que são fanáticos por séries e filmes e querem coisas novas e interessantes, fora da caixa.
É por isso que as séries originais da Netflix vem agradado tanto fãs!
A série mais próxima das séries fantasiosas de super-heróis que estamos acostumados é a do Demolidor. Trazendo muito mais pancadaria, efeitos especiais, fantasia e figurinos típicos de heróis. Já Luke Cage e Jéssica jones são muito mais “pé no chão”. Muito mais realistas, tocando assuntos delicados que infelizmente ainda enfrentamos nos nossos cotidianos. Aqui não temos vilões super poderosos, alienígenas ou raios azuis ameaçadores descendo dos céus prestes a destruir o mundo.

LUKE CAGE saiu de hell’s Kitchen em Jessica Jones, e Foi parar no Harlem (também localizado em Nova Iorque NY) sua terra natal, para sua série própria.
Não vamos conhecer o passado de Cage logo nos primeiros episódios, mas vamos aprendendo mais sobre ele ao decorrer da série, e como ganhou seus super poderes. Algo que gosto muito para fugir dos padrões de filmes de origens de super-heróis. Outra coisa também que vemos ao decorrer da série, é sua ligação com as séries anteriores e até mesmo com o universo cinematográfico da Marvel, nos primeiros episódios não sabemos em que parte da linha temporal do universo compartilhado estamos, aos poucos vamos vendo as ligações.
Como disse que a série aborda assuntos delicados, em Luke Cage os assuntos mais tocados são Preconceito, Racismo, Corrupção, Manipulação da Mídia, e um pouco de machismo.

Machismo o qual já foi muito bem abordado em Jéssica Jones, que colocava para o mundo da ficção, a personificação daquilo que sofrem diariamente, relacionamentos abusivos, serem tratadas como objetos e como seres inferiores. Ai conhecemos killgrave (David Tennant), um vilão vitima uma experiência cientifica feita pelos próprios pais, dando o poder de controlar as pessoas com sua voz. Tudo o que causou em sua infância o transformou no vilão adulto que conhecemos, o homem purpura dos quadrinhos agora somente conhecido como KillGrave. Existem muitos KillGraves por ai, que não precisam necessariamente  usar sua força física para controlar as mulheres e deixar-las incapazes, mas como o jeito que eles as tratam, suas palavras, a opressão e a pressão imposta por eles acabam fazendo muitas mulheres de reféns. Na série ele tem poder para isso, e mesmo com esse poder ele consegue ser derrotado. É a mensagem que a série deixa para as mulheres do mundo real, para serem fortes e não deixar de maneira alguma que isso possa acontecer, sempre denunciar quando estiver ou saber quando alguém esta sendo vítima de abuso, sexual, psicológico e qualquer tipo que seja.

Voltando a Luke Cage, com aquela pegada muito mais urbanas, mostrando a vida nas ruas, como as pessoas lidam com preconceito e brigando para conquistar seu espaço a cada dia.
Luke Cage aparece para limpar a cidade da corrupção, seguindo os concelhos de seu novo chefe, POP (Frankie Faison), grande amigo que virou praticamente um pai para Luke e para muitos moradores do Harlems frequentadores da barbearia (a qual Pop é dono).
Luke aceita seus poderes e vai atras de cortar o Mal pela raiz, não matando ninguém, mas tirando boa parte da riqueza conquistada pelo maior traficante de armas e rei do crime da cidade, Cornel “boca de algodão” Strokes. (Mahershala Ali). Infelizmente as coisas não são tão fáceis como Luke acha. Afinal Boca de Algodão é primo e muito próximo da candidata a prefeita mais querida da Cidade,  Mariah Dillard (Alfre Woodard) .

A série contém 13 episodios e podemos dividir ela em 2 arcos, Boca de Algodão e Willis ‘Diamondback’ Stryker (Erik LaRay Harvey). Porém Mariah sempre está envolvida em praticamente tudo e todos episódios de alguma forma.

Como Luke, também vamos conhecendo mais sobre os vilões ao decorrer da série, com flashbacks e até alguns diálogos entre os personagens. As vezes até um surto, uma raiva, ou olhares também mostram e dizem a verdade sobre os personagens e até suas ambições.

Com alguns episódios com uma direção de fotográfica impecável e  uma trilha sonora magnífica, que vai de Jazz, Black, Soul e RAP, presentes em todos episódios. Com letras que ajudam a entender e entrar mais no clima do Harlem, da comunidade negra. Lembrando que não é a musica que influencia as pessoas (em partes) mas sim, as ruas que influencias as musicas. Nada mais é do que um reflexo do que vivemos.

Luke sempre com um olhar pleno, sereno, confiante, só quer paz (talvez por isso ganhe tantos convites para tomar café?) Mostrando que a única coisa que pode o infurecer é mexer com alguem que ama, e ser enganado.

Durante a trama, após Cage achar que está tudo resolvido, entra a corrupção e a manipulação da mídia, fazendo-o parecer um vilão na história e botar os cidadães de Harlem contra ele. Ai que mostra o quão unida a comunidade negra é, que já cansaram de ser feitos de trochas. Cage já é um velho amigo da cidade, por mais que não podemos confiar em ninguém e que seja uma surpresa descobrir que ele tem poderes, grande maioria das pessoas o apoiam e até o acobertam muitas vezes para ajudar a fujir da policia. Uma grande manifestação de negros usando roupas com buracos de balas para acobertar o Luke  e confundir os policiais, é muito mais do que um simples episodio de TV, e sim uma grande manifestação para o mundo contra o abuso de autoridade e racismo ainda exercidos atualmente. A estreia de Luke Cage aconteceu 2 dias após uma grande manifestação nos EUA justamente com o mesmo tema, abuso de autoridade e racismo, manifestação que começou por causa de um assassinato de 1 negro desarmado, sozinho e sem reação morto por 2 policiais. Esse tipo de atrocidade acontece com mais frequência que parece, em mais lugares do que imaginamos.

Para quem só gosta de pancadaria, super poderes, efeitos especiais e diversos super-heróis em tela, talvez não vá gostar muito de Luke Cage.
Mas quem gosta de tramas envolventes, de séries mais próximas da realidade, de uma cutucada bem forte com uma lança pontuda na sociedade, está ai uma ótima série para você assistir.

Enfim, Luke Cage vem quebrando tudo, além de torax e paredes, também quebrando paradigmas, preconceitos, e o modelo convencional de fantasia super-heroica.
Luke Cage chegou para deixar um grande marco televisivo e uma grande mensagem de apoio e força ao movimento negro!

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